quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O verdadeiro batismo.

Nas Escrituras Hebraicas, em Gênesis, Deus fez um pacto com Abraão, dando como "sinal de fé" a circuncisão. que consistia numa operação cirúrgica de remoção do prepúcio do pênis. Tanto Abraão como seus descendentes deveriam fazer. E os descendentes físicos de Abraão, que é a nação de Israel, também deveria obedecer ao mandamento. E quem não obedecesse seria extirpado do meio do povo.

"E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal da aliança entre mim e vós.
O filho de oito dias, pois, será circuncidado, todo o homem nas vossas gerações; o nascido na casa, e o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não for da tua descendência.
Com efeito será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro; e estará a minha aliança na vossa carne por aliança perpétua.
E o homem incircunciso, cuja carne do prepúcio não estiver circuncidada, aquela alma será extirpada do seu povo; quebrou a minha aliança."
(Gênesis 17:11-14)

Quando lemos sobre a nação de Israel nos livros posteriores, vemos que todo homem era circuncidado, e quem não obedecia a isso não poderia ser considero israelita. Todavia, apesar de a circuncisão ser algo no corpo do homem terreno, isso não transformava o circuncidado de fato num filho de Deus, como muitos israelitas pensavam. Pensavam que só pelo fato de serem descendentes físicos de Abraão e terem feito a remoção do prepúcio, isso os fazia filhos de Deus.

No entanto, na mesma Escritura Hebraica, o profeta Jeremias afirma:

"Circuncidai-vos ao Senhor, e tirai os prepúcios do vosso coração, ó homens de Judá e habitantes de Jerusalém, para que o meu furor não venha a sair como fogo, e arda de modo que não haja quem o apague, por causa da malícia das vossas obras."
(Jeremias 4:4-5)


O próprio Moisés já dizia qual era a verdadeira circuncisão:

"Circuncidai, pois, o vosso coração espiritual; retirando toda a obstrução carnal, e deixai de ser insubmissos e teimosos! Pois Yahweh, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Soberano dos soberanos, o Único e grandioso Deus, poderoso e temível, que não age com parcialidade nem aceita presentes e ofertas para torcer a justiça.…"
(Deuteronômio 10:16)

Portanto, apesar de a circuncisão física ter sido ordenada por Deus como selo da fé, a verdadeira circuncisão era a do coração. Não adiantaria nada uma operação feita no corpo como selo de fé se o coração ainda fosse o mesmo de carne, sem ter sido tirado o "prepúcio".

Mas daí você vai me perguntar: O que isso tem a ver com o verdadeiro batismo?

Bem, na Nova Aliança, na qual a Igreja é a "nação santa, o povo eleito, o sacerdócio real" (1 Pe 2:9), não há a prática da circuncisão, pois " a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito" (Fip 3:3). Contudo, existe uma prática que a substitui, que é o batismo, o qual marca a entrada da pessoa na Igreja. Podemos dizer que o batismo é o selo da fé na Igreja de Deus.

Não vou entrar aqui na questão das formas de batismo (por imersão, aspersão e efusão), pois creio que nenhuma esteja errada. Mas, o verdadeiro batismo não ocorre com água. Pois assim como a circuncisão verdadeira era a do coração, o verdadeiro batismo é o da consciência. Como Pedro diz:

"Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo;"
(1 Pedro 3:21)


Existem pessoas que se batizaram com as águas, no entanto nunca tiveram uma nova consciência de verdade para com Deus. Logo, elas não se batizaram de verdade. Vejam bem, não estou relativizando o batismo com a água: toda pessoa que crer em Cristo deverá se batizar com água (Marc 16:16), assim como todo judeu deveria se circuncidar. Entretanto, o batismo que conta pra salvação mesmo não é esse, mas o batismo de uma nova consciência.

Lembram-se do ladrão na cruz, que foi salvo quando estava prestes a morrer? Ele não se batizou com água, mas ele teve o batismo de uma nova consciência, pois reconheceu-se ser um pecador e creu no Senhorio e na Intervenção de Cristo pela sua vida:

"E um dos malfeitores que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós.
Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação?
E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez.E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso."
(Lucas 23:39-43)

Ele foi salvo sem o batismo com as águas. Outro fato curioso foi que Cornélio, o centurião,   recebeu o Espírito Santo antes de ser batizado pelas águas (Atos 10).

Portanto, espero ter ficado claro qual é o verdadeiro batismo que Deus vê.

Deus abençoe a todos.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Deus, Paulo, casamento: contradição?

Algumas pessoas têm dúvida sobre o casamento. É melhor se casar ou ficar solteiro? Essa pergunta não é nova, os cristãos em Corinto tiveram a mesma dúvida. E por falar neles, algumas pessoas ficam em dúvida por acharem que há uma contradição no que Paulo escreveu com o que Deus disse no princípio da humanidade.

Explico. O que entendemos desde o princípio? Deus criou o homem e viu que não era bom que ele ficasse só. O que ele fez? Uma companheira. Deus os uniu no jardim. Após isso, foi proferida a vontade de Deus para a humanidade:

"Disse então o homem: "Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada".
Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.
(Gênesis 2:23-24)

O casamento, portanto, foi estabelecido por Deus. É a vontade de Deus que o homem a mulher se casem e tenham filhos: "Deus os abençoou, e lhes disse: "Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra". - (Gênesis 1:28-29)

E o que dizer de Paulo? Estava indo contra Deus? Pois ele disse:

"Quanto aos assuntos sobre os quais vocês escreveram, bom seria que o homem não tocasse em mulher,
mas, por causa da imoralidade, cada um deve ter sua esposa, e cada mulher o seu próprio marido.
(1 Coríntios 7:1-2)

Bem, de cara dá pra perceber que os cristãos em Corinto escreveram a Paulo se seria melhor casar-se ou ficar solteiro. Paulo responde que seria ficar solteiro, aborrecido que estava por causa da imoralidade, mas depois diz pra cada um ter a sua esposa, se não puderem exercer o celibato. Isso se entende devido ao contexto em que aqueles cristãos especificamente estavam.

Vejam bem, foi somente a eles (cristãos em Corinto) que Paulo disse que seria melhor ficar solteiro. Isso porque aquela Igreja estava passando por problemas de imoralidade sexual. Em 1 Coríntios 5 o apóstolo mostra-se indignado porque havia um cristão vivendo em fornicação com a mulher do pai (madrasta) e a Igreja não fazia nada, entendia aquilo como algo normal. Mas não foi só um cristão lá que teve problemas com fornicação.

Em 2 Coríntios 12:21 Paulo tinha receio em ir pra ver aqueles cristãos, porque tinha expectativas que muitos que cometeram pecados sexuais não se arrependeriam, e isso o entristeceria bastante.

Portanto, nesse contexto de imoralidade sexual, o apóstolo Paulo, muito chateado por sinal, disse que seria melhor ficarem solteiros. E não só por causa disso, mas que uma pessoa não casada evita certas "tribulações" (1 Co 7:29-31). Mas o mesmo diz que se não puderem suportar, que se casem. Outra coisa: é só ler cuidadosamente 1 Coríntios 7 para compreender que Paulo apenas dá a sua opinião pessoal frente àqueles irmãos e não um mandamento de Deus.

Para provar que Paulo não era contra o casamento e sim a favor, olha o que ele escreveu a Timóteo:

"Portanto, quero que as jovens se casem, tenham filhos, administrem suas casas e não deem ao inimigo nenhum motivo para maledicência."
(1 Timóteo 5:14-15)

Ele era tão a favor do casamento que foi o único no Novo Testamento a dizer que os maridos devem amar às suas esposas como Cristo amou a Igreja, e que as esposas devem ser submissas a seus maridos como a Igreja é submissa a Cristo (Efésios 5:22-31).

Se Paulo fosse contra o que Deus instituiu, seria um equivocado. Mas não. Ele era verdadeiramente apóstolo do Senhor!

Para concluir, nada melhor do que exaltar o casamento com as palavras do próprio Cristo:

"Ele respondeu: 'Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’
e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’?
Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe'."
(Mateus 19:4-6)

Deus abençoe aos caros leitores.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A superficialidade de certos pais.

A cada dia que passa confesso que me surpreendo como certos pais têm criado e instruído seus filhos. Eles se dedicam a tudo - ao trabalho, ao sustento, e até a cargos nas igrejas - mas quando o assunto é ser um pai espiritual, a coisa dificulta.

Eu digo que em pleno século XXI perdemos de vista nossas prioridades. Quanto tempo um pai gasta com seu filho para lhe ensinar as Escrituras e parar orar com ele? Se você é pai, responda com sinceridade a essa pergunta, pois poderá lhe trazer alguma consciência de erro e posteriormente gerar um fruto para a glória de Deus.

Para fortificar a crença do dever dos pais quanto à guia de seus filhos, há muito tempo, nos tempos de Israel, vemos no famoso "Shemá Israel" essa ordem:

"Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR.
 Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força.
 Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração;
 tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te."
(Deuteronômio 6:4-7)

Deus ordenou que os israelitas incutissem as palavras da Lei a seus filhos. E esse princípio - de os pais serem instrutores - permanece por toda a Bíblia, e deve permanecer enquanto houver povo de Deus.

Salomão, o homem a quem Deus deu sabedoria a ponto de dizer que nem antes nem depois alguém seria tão sábio quanto ele, disse:

"Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele."
(Provérbios 22:6)

Saindo das páginas do Antigo e entrando no Novo Testamento, vemos o apóstolo Paulo elogiar a Timóteo por desde menino conhecer as Escrituras.

" E que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus."
(2 Timóteo 3:15)

Paulo diz aos efésios que é dever dos pais instruírem a seus filhos na doutrina e admoestação do Senhor. E o curioso é que a palavra "pais" no versículo em grego refere-se aos pais homens. Ou seja, embora a mãe ajude na educação espiritual, o dever principal pela formação espiritual dos filhos é do homem. Eis o versículo:

"E vós, pais (homens), não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor."
(Efésios 6:4)

Existem pais que pensam que a obrigação da formação espiritual do filho é a do líder de jovens, do professor da escola dominical. Estão totalmente equivocados. Eles que têm a obrigação principal, o ensino deve vir de casa, desde a meninice. Há alguns que só levam os filhos pra igreja, achando que é tudo. Ledo engano.

Há alguns que não dão devida atenção ao ensino dos filhos pelo fato de exercerem cargos nas igrejas, assim dizem não ter tempo. Outros até inventam uma história estranha dizendo que, se cuidarmos dos deveres na igreja, Deus fará com quem os filhos sejam encaminhados. É a famosa frase de Deus (segundo eles): "Cuida do que é meu, que eu cuido do que é seu". Essa crença parece bonitinha, mas está totalmente equivocada.

Quem não se lembra do sacerdote Eli? Ele tinha um oficio importante entre o povo de Deus, e o exercia, porém não deu a devida atenção aos filhos no que diz respeito ao ensino deles, ao passo que eles passaram a praticar coisas horríveis, o pai não os corrigia. Eles acabaram morrendo nas mãos de Deus por desobediência e falta de temor.

Enquanto seus filhos estiverem debaixo de sua autoridade, instrua, ensine, repreenda, exorte, corrija, console, faça o possível para sua conversão e seu crescimento espiritual. Deus lhe deu esse dever. Você terá de prestar contas a Ele. Portanto, não fuja da sua obrigação.

E se você ainda não é pai, vá aprendendo suas futuras obrigações, se quiser ser um.

Deus abençoe a todos vocês.




sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

"Saíram de nós, mas não eram dos nossos".

"Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos." (1 João 2:19)

O apóstolo João - discípulo a quem Jesus amava - viu a imensa necessidade de escrever uma epístola a certos cristãos de sua época. E o principal motivo foi alertá-los quanto à apostasia que se manifestava àquela época. Isso porque havia pessoas anunciando horrores quanto ao Filho de Deus.

João inicia sua carta exaltando a Jesus (1 João 1:1-4); depois fala de uma vida sendo vivida na luz e  não nas trevas (vs 5-7); afirma que todos temos pecados e nos estimula à confissão (vs 8-10). Inicia o capítulo 2 afirmando que, se porventura pecarmos, temos um Advogado (2:1-2); instrui-nos a guardar os mandamentos de Jesus (vs 3-17).

Todavia, agora João entra na questão da apostasia, seríssima por sinal. Olha o que ele diz:

"Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora.
 Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos.
 E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento.
 Não vos escrevi porque não saibais a verdade; antes, porque a sabeis, e porque mentira alguma jamais procede da verdade.
 Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho." (1 João 2:18-22)

Havia à época do apóstolo alguns ditos "cristãos" que deram ouvidos às teses do anticristo. Eles simplesmente passaram a não crer mais em Jesus como Filho de Deus. Simplesmente ignoraram o Salvador, não professando mais crença Nele. E o evangelho nos diz que: "Quem crê Nele não é condenado, mas quem não crê já está condenado." (João 3:18)

As Escrituras são entendidas pelo seu contexto. No capítulo 4 o autor já volta a falar sobre o mesmo tema:

"Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.
 Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;
 e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo." (1 João 4:1-3)

E, como João alerta instantemente aos seus irmãos leitores sobre esse perigo de pecado, ele diz no capítulo 5:

" Se alguém vir a seu irmão cometer pecado não para morte, pedirá, e Deus lhe dará vida, aos que não pecam para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue." (1 João 5:16)

Pelo contexto de sua epístola, o que ele mais alerta é o perigo da incredulidade. Então esse, provavelmente, era o "pecado para morte" ao qual o mesmo se referiu.

Fica-nos o exemplo para vigiar e perseverar na nossa crença no Filho de Deus, o único Salvador nosso.

E para finalizar este post, gostaria de falar algo sobre mudança denominacional. Uma vez vi um ancião na igreja que frequento dizer que esse versículo "saíram de nós, mas não eram dos nossos" se refere a pessoas que saem de nossa denominação, e também a uma dissidência que foi formada, chamada "Congregação Cristã Ministério de Jandira".

Ele disse assim: "Irmãos, tomem cuidado com esse ministério de Jandira, pois o apóstolo João já alertou na sua epístola isso, que eles saíram de nós mas não eram dos nossos". Bem, ele errou. Uma pessoa mudar de denominação, ou ir a uma dissidência, não tem nada a ver com o que João disse. Mas sim a apostasia da fé em Cristo.

Portanto, no primeiro século a Igreja já enfrentava problemas com o anticristo. Muitos se afastaram do Evangelho - de Jesus Cristo - e se foram aos que O negavam. O apóstolo a quem Jesus amava escreveu essa epístola com essa principal finalidade, para alertar aos irmãos o perigo da incredulidade e da apostasia. E, como vimos, nada tem a ver com a simples mudança de denominação, mas sim de abandonar a fé no Senhor e Salvador Jesus.

Paz a todos os irmãos.