terça-feira, 19 de maio de 2015

Irmãos nominais.

A frase "eu te amo", segundo a maioria das pessoas, ficou banalizada. Qualquer um a pronuncia de forma automática, sem amar de fato aquele a quem são dirigidas tais palavras. Eu concordo com a maioria. E fazendo uma comparação, noto que há uma palavra banal no meio da Igreja: "irmão".

Vamos entender. De acordo com o Dicionário Aurélio, um dos significados de "irmão" é "pessoa muito amiga de outra". Portanto, um irmão não é somente filho do mesmo pai e/ou mãe, mas uma pessoa que compactua de amizade. E o que a Palavra de Deus nos ensina sobre amizade/irmandade podemos sintetizar em um versículo:

"Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram;"
(Romanos 12:15)

Amigo/irmão, portanto, é alguém que está presente em sua vida, tanto nos momentos difíceis (para chorar com você) quanto nos momentos alegres (para se alegrar com você). Agora quero que você reflita comigo: você faz parte de fato da vida dos irmãos na sua igreja? Você de fato chora e ri com eles? Você está por dentro da vida dele para exercer de fato sua função de irmão? Eles também fazem a mesma coisa com você?

Vivemos num século o qual é caracterizado pelo individualismo. Cada um na sua. E o que acontece na Igreja? A mesma coisa. Você vai ao culto, lá encontra outros cristãos, os chama de irmãos, louvam a Deus, depois cada um vai pra sua casa e pronto. Não há comunicação na semana. Não há participação na vida um do outro. Quando chega no domingo, a mesma coisa acontece. E no culto um chama o o outro de "irmão". Como assim?
Pra eu não dar uma de exagerado, admito que com 2 ou 3 daqueles que você chama de "irmão" você participa da vida e vice-versa. Agora, você faz isso, mas congrega numa igreja que tem mais de 100 cristãos. Algo está errado, não?

Eu faço esse texto e me considero o principal culpado. Minha vida é corrida, isso é fato, mas eu não me alegro com quem se alegra nem choro com quem chora. Não participo da vida do outro. Igual a você, de 2 ou 3 tenho vínculo de "irmão" mesmo. Só que estamos errados. Totalmente errados. Na prática, não temos passado de "irmãos nominais".

Eu não estou sendo utópico. É óbvio que se formos mais próximos uns dos outros, se participarmos mais da vida uns dos outros, há grande possibilidade de termos problemas com fofocas e problemas de brigas. No entanto, teremos de solucionar isso. A Igreja em Jerusalém vivia unida de fato. Houve sim dificuldades de convívio, como no caso das viúvas judias e gregas (Atos 6). Isso ocorre. Por isso Paulo já previamente conhecedor disso disse: 

"Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também."
(Colossenses 3:13)
Agora, algo mais grave ainda é quando líderes nas igrejas agem assim, quando eles deveriam conhecem a fundo a vida das ovelhas as quais pastoreia (ou teoricamente pastoreia). Muitos pensam que suas funções são somente presidir culto, ministrar Palavra, realizar batismos e a ceia do Senhor. Depois disso, não procuram saber como andam as ovelhas. Se a liderança agir assim, o que se pode esperar dos liderados?

O "uns aos outros" é muito importante. Cristo orou pela unidade da Igreja e também orou pela santificação dela (João 17). Houve a necessidade de orar pela santificação porque existe pecado no convívio entre irmãos, principalmente no que diz respeito à cólera, mágoa, dissenções e coisas do tipo.

Deixo para reflexão tanto minha quanto sua esse versículo:

"Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?"
(1 João 4:20)
Você pode até não odiar seu irmão, mas se você não chora nem se alegra com ele, você não o ama na prática. Poderá você dizer que ama a Deus, sendo que na prática não ama seu irmão?

"Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade."
(1 João 3:18)

Paz a todos.