domingo, 6 de setembro de 2015

Casamento: por qual motivo há tanta dificuldade?

Olá, caros leitores. Faz bastante tempo que não posto um texto no blog. Mas não me esqueci dele. Hoje gostaria de falar sobre algo que não tenho experiência: casamento.

Sabemos que a cada dia que passa o número de divórcios aumenta. A cada dia que passa, mais e mais pessoas se separam. E isso não tem acontecido apenas entre pessoas não cristãs, mas entre os cristãos também. Afinal, por que tanto divórcio?

Pesquisas indicam que a "incompatibilidade" é a maior causa de separação. E hoje eu queria tecer alguns comentários sobre isso, embora eu seja novo (20 anos) e nunca tenha me casado. Apenas tive uma namorada há alguns anos. No entanto, creio que não seja um impedimento para falar sobre o assunto. Iniciarei com alguns conceitos que a Palavra de Deus nos dá e a vivência prática deles.

O ponto principal que gostaria de abordar é algo que chamamos de "Depravação Total". De acordo com a Palavra de Deus, todo ser humano é mau e depravado. O homem foi feito reto e justo, porém com o pecado, se corrompeu. Não estou dizendo o ser humano não faça o bem, apenas estou dizendo que ele faz o mal. Ele agora por natureza é egoísta, olha principalmente (e alguns somente) para si. Além disso, o pecado provocou uma devastação tão grande que o ser humano não consegue viver uma paz plena com o outro. Há sempre um litígio, uma contenda, uma facção. E isso pode ser aplicado ao matrimônio.

O problema principal do casamento, portanto, deve ser reconhecido através do auto conhecimento. Como nos enxergamos? Como realmente nos vemos? Quando cada um reconhece que é egoísta de fato, que não está disposto a abrir mão de algo que quer por causa do outro, poderá perceber o real problema do casamento.

Imagine a situação: duas pessoas se conhecem, se interessam uma pela outra e se casam. Cada uma delas é pecadora. Por natureza é egoísta. Por natureza pensa mais em si do que no outro. Defende mais a sua razão do que a do outro. Não abre mão do que quer e pensa em prol do outro. Essas duas pessoas colidirão. A natureza caída e pecaminosa de cada um impedirá a convivência em paz. O que essas pessoas farão? Separar-se-ão, pois para elas é a tarefa mais fácil. "Não dá, ele/ela não me compreende, e não abre mão dos seus desejos, não entende que gosto disso, daquilo...", dizem o casal. Eis o problema.

Mas... poucas pessoas conseguem enxergar o casamento como um instrumento do Senhor para matar o nosso egoísmo, a nossa auto-suficiência, a nossa falta de amor. Deus quer que joguemos fora toda podridão que procede nós. O matrimônio serve como um instrumento de santificação. Você é casado com uma pessoa, e abre mão do seu egoísmo. Prioriza a felicidade dela em prol da sua. Muda seus pensamentos muitas vezes por ela. Aprende a suportá-la, a suportar seus defeitos, as incompatibilidades. Acaba com sua razão para aceitar a dela. Esse é o ponto. Mas a maioria de nós não quer saber disso. Naturalmente, não queremos abrir mão do nosso desejo, do nosso ego, da nossa razão. Estamos certos e pronto. O outro que se dane. Não queremos ceder.

Deus quer matar em mim tudo que me faça me colocar no centro. Pra fazer com que eu cumpra o versículo: "Cada um considere os outros superiores a si mesmo" (Fp 2:3b). E o casamento é uma das peças fundamentais pra isso. Deus quer nos transformar, nos moldar, à medida em que vamos abrindo mão do nosso "eu" e vamos dando lugar ao cônjuge.

Como nível de esclarecimento, não estou dizendo que devemos negar tudo o que queremos, sempre ceder em prol do outro. Dessa forma, teríamos uma relação unilateral, na qual somente uma pessoa estaria "dando sangue". Mas estou dizendo que, na maioria das vezes, se as duas pessoas se colocarem uma no lugar da outra, e ambas aprenderem muitas vezes a negar-se para benefício do outro, com certeza surgiria um casamento saudável, equilibrado, no qual Deus será glorificado.

Espero que essa breve e pequena reflexão tenha sido edificante para vocês. Um abraço, que Deus nos abençoe.