domingo, 25 de setembro de 2016

O quarto que acumula desordem e sua necessidade constante de mudança.

Eu tenho um quarto pequeno que é somente meu. Há alguns anos durmo nele. Dentro dele tem minha cama, um criado-mudo, mochilas, livros, cadernos e uma pequena mesa, onde coloco meu notebook, impressora e alguns objetos. É um quarto relativamente pequeno e simples.

Á medida que a semana passa, entretanto, vejo que meu pequeno quarto vira uma bagunça. Eu trabalho o dia inteiro e em seguida vou pra faculdade. Quando chego em casa, já cansado, vou para o meu quarto somente para dormir. Coloco algumas coisas sobre a mesinha, ponho minha mochila no canto e vou repousar, normalmente sem me preocupar com organização. E dia após dia vou fazendo isso, até chegar no sábado, dia em que normalmente não trabalho nem vou pra faculdade.

Quando o sábado chega, olho para o meu quarto e vejo a bagunça. Às vezes me pergunto: como esse quarto ficou tão bagunçado assim? Então eu o arrumo. Coloco cada coisa em seu devido lugar, limpo a poeira, passo pano e o deixou limpo e organizado. Quando termino, dá uma sensação de alívio. Finalmente arrumei meu quarto.

Mas uma nova semana chega. Tenho que novamente trabalhar, ir pra faculdade, e novamente meu quarto aos poucos vai ficando sujo e bagunçado. Quando chega no sábado o processo se repete: arrumo-o novamente. Quando limpo meu quarto, muitas vezes o vejo menos sujo do que no sábado anterior. Mas há a necessidade de limpeza. Uma vez ou outra ele está mais sujo, e nesses casos há que se empenhar mais esforço para deixá-lo organizado e limpo.

Pois meu quarto tem me ensinado como funciona a nossa vida em relação aos nossos pecados. Quantas vezes deixamos a nossa casa (que somos nós mesmos) com sujeiras e desorganizações. Quantas vezes caímos em pecados que nos deixam bagunçados. Quantas vezes acumulamos pensamentos, desejos e práticas que não agradam a Deus. Quantas vezes não tiramos a sujeira, mas vamos acumulando-a. Quantas vezes não arrumamos o nosso quarto!

Mas precisamos organizar aquilo que se desorganizou; limpar aquilo que ficou sujo; colocar cada objeto em seu devido lugar. Precisamos, de tempos em tempos, fazer uma reflexão e análise sérias para ver se não estamos acumulando certas sujeiras que prejudiquem o quarto. E de preferência, que quando formos organizá-lo mais uma vez, haja menos bagunça do que antes.

É impossível que paremos de pecar. Está em nossa natureza caída. "Se dissermos que não temos pecados, somos mentirosos e em nós não há verdade." (1 João 1:8). Contudo, é possível sim evitar o acúmulo. É possível evitar uma vida de pecado. É possível evitar uma rotina de pecado. É possível evitar uma vida escrava de pecado. Afinal, "Deus nos tem dado tudo o que diz respeito à vida e piedade." (2 Pedro 1:3a)

Portanto, limpemos e organizemos rotineiramente a nós mesmos. E que a cada nova limpeza e organização, haja menos acúmulo de desordem.

"Aquele que encobre os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e deixa, alcança misericórdia." - Provérbios 28:13

Deus abençoe a todos!


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Crucificando novamente o Filho de Deus: a explicação de Hebreus 6:4-6

Olá a todos. Que a Graça e a Paz da parte de Deus e de nosso Senhor Jesus Cristo estejam com todos vocês. Hoje gostaria de explicar uma passagem bíblica à qual muitos dão uma interpretação equivocada, principalmente os membros da denominação a qual faço parte.

Meu foco ao explicar Hebreus 6:4-6 não é fazer uma defesa do calvinismo (embora eu seja calvinista), mas refutar uma crença de muitos de minha denominação: a de que o texto se refere a cristãos que tenham cometido algum pecado sexual.

Muitas pessoas que conheço costumam dizer que, se você é cristão e cair num pecado sexual, está crucificando o Filho de Deus e não há perdão pra você. Ou não deveria (embora não confessem assim). Ou esse perdão poderia ser obtido, mas com grande dificuldade.

Vamos lá. A passagem bíblica diz o seguinte:

"Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo,
E provaram a boa palavra de Deus, e as virtudes do século futuro,
E recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério."
Hebreus 6:4-6 

Ao ler este texto, muitos que conheço - sim, muitos, não apenas um ou outro, dizem que o texto se refere aos que pecam sexualmente. "Eles crucificaram o Filho de Deus novamente. É impossível serem renovados para o arrependimento". Sim, com essas mesmas palavras. Ou seja, de tantos pecados que existem - mentira, cobiça, gula, fofoca, orgulho, ódio, embriaguez, ganância e outros - eu nunca os vi dizerem que uma pessoa que caia em algum desses pecados tenha crucificado novamente o Filho de Deus. Mas somente os que caem em imoralidade sexual.

Pois bem, vamos agora explicar o texto e desconstruir essa crença estranha. Primeiramente, a quem foi escrita essa carta? Sabemos que foi aos hebreus.
Quem eram esses hebreus? Eram judeus que se converteram (uma minoria em comparação ao tamanho do povo judeu).

Sabemos que nosso Senhor veio do povo judeu, que os primeiros discípulos vieram de lá e que o Evangelho começou a ser propagado lá, por eles. Sabemos também que a nação judaica rejeitou a Cristo. Entretanto, obviamente que nesta nação algumas pessoas creram. Essas pessoas formaram a "primeira" Igreja de Cristo. Depois que nosso Senhor ascendeu aos céus, a Igreja só existia de judeus/hebreus. Ao lermos o livro de Atos dos apóstolos, percebemos que a Igreja teve inicio ali. Portanto, essa epístola aos hebreus foi direcionada àquela igreja, que vivia na nação de Israel, que rejeitou a Cristo.

Vamos entender mais uma coisa. O povo de Israel (que eram os judeus/hebreus) rejeitou a Cristo. Entretanto, continuou com as práticas do Antigo Testamento: sacrifício de animais no Templo, sacerdócio levítico, festas judaicas, purificação etc. Todas aquelas coisas do Velho Testamento.

Você pode ver até aqui, portanto, que em Israel havia dois povos: os cristãos hebreus (uma minoria dentre o povo), e os judeus que rejeitaram a Cristo mas que continuavam com a religião do Antigo Testamento.

Pois bem, o que você pode imaginar que aconteceria? Os cristãos hebreus começaram a ser perseguidos pelo resto do povo, que era a maioria. Assim como podemos ver em Atos que a Igreja sofreu perseguição em Jerusalém, ela não parou. A Igreja de Cristo estava sendo duramente perseguida, e os judeus queriam que eles abandonassem a fé em Cristo e voltassem à religião do Antigo Testamento. E alguns cristãos por não suportarem a perseguição abandonaram a Cristo, rejeitaram Ele, e voltaram à religião antiga.

Se você entendeu o que expliquei acima, entenderá o seguinte: a carta aos hebreus foi escrita com um propósito: impedir que os cristãos hebreus abandonassem a Cristo e voltassem à antiga aliança, à antiga religião.Que voltassem ao Antigo Testamento, por assim dizer. O autor dessa epístola (que muitos dizem ter sido Paulo, mas não se sabe ao certo) utiliza argumentos mostrando a superioridade de Cristo em relação aos elementos e pessoas da antiga aliança.

O povo judeu tinha muita admiração por anjos. No capítulo 1 da epístola aos Hebreus é dito que Cristo é superior aos anjos. No capítulo 3 é dito que Cristo é superior a Moisés. No capítulo 4 é dito que Cristo é superior a Josué, e que o descanso oferecido por Cristo é maior que o descanso do Sábado. No capítulo 5 é dito que Cristo é superior aos sumo-sacerdotes. No capítulo 7 ele prossegue falando da superioridade de Cristo em relação aos sumo-sacerdotes. No capítulo 8 ele diz que a nova aliança é superior à primeira. Nos capítulos 9 e 10 ele diz que Cristo é superior a Lei e suas sombras.

Perceberam? O propósito da epístola aos hebreus é impedir que aqueles cristãos abandonassem a Cristo e voltassem à religião antiga, e pra isso o autor da carta vai explicando como Cristo é superior às pessoas e coisas do Antigo Testamento. O propósito, portanto, era evitar o pecado da apostasia, e não outros pecados, embora saibamos que eles devem ser evitados.

Vamos agora falar rapidamente sobre os sacrifícios. O povo judeu sacrificava animais pra propiciação de pecados. O próprio Deus instituiu isso no passado. Entretanto, esses sacrifícios eram apenas sombras do verdadeiro sacrifício que efetivamente tira os pecados e salva: o Sacrifício de Cristo.

Portanto, uma vez que Cristo veio e fez o sacrifício perfeito, voltar a praticar sacrifícios de animais seria abominação. Seria dizer que não cria no sacrifício de Cristo. E era isso que os judeus estavam fazendo. E foi isso que alguns cristãos hebreus passaram a fazer: eles negaram a Cristo, disseram que não criam mais Nele e voltaram a sacrificar animais. Isso é abominação. Isso é crucificar o Filho de Deus novamente. É impossível que essas pessoas sejam renovadas para o arrependimento. Essas pessoas não se arrependem. Elas rejeitam deliberadamente o Salvador. Uma coisa é você cometer imoralidade sexual, mentira, furto, cobiça etc. Você se arrepende, pede perdão a Deus e abandona o pecado. Outra coisa é você abandonar a Cristo e simplesmente dizer que Ele não é Salvador coisa alguma. Quem faz isso ficou com a mente cauterizada. Esse é o pecado advertido em Hebreus 6:4-6. Isso que significa crucificar novamente o Filho de Deus.

Em Hebreus 10:26-29 vemos algo parecido:

"Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados,
Mas uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários.
Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas.
De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?"
Hebreus 10:26-29
Pecar voluntariamente ali está se referindo ao pecado da apostasia. Ao abandono de Cristo. A voltar a oferecer e confiar em sacrifícios de animais. Por isso ali é dito que "já não resta mais sacrifício pelos pecados". Uma vez que você conhece a Verdade (Cristo é Salvador e Seu Sacrifício salva), e abandona isso, não há esperança pra você. Pois se alguém não crê mais em Cristo e o abandona, simplesmente não há como essa pessoa ser salva, pois o único sacrifício que pode salvar é o de Cristo. Uma vez que alguém rejeita isso, não resta mais sacrifício, mas uma condenação eterna por ter pisado o Filho de Deus e ter profanado o Seu Sangue.

Termino aqui meu texto. Procurei explicar detalhadamente os versículos envolvidos. Crucificar a Cristo de novo é rejeitar a Sua Pessoa e o Seu Sacrifício, voltando a sacrificar animais ou qualquer outra confiança de salvação que não seja no único sacrifício aceito por Deus, a saber, o de Cristo Jesus nosso Senhor. Não se refere ao pecado da mentira, do ódio, orgulho, nem se refere aos pecados sexuais. Aliás, Deus oferece perdão gratuitamente ao cristão que caírem em imoralidade sexual, exigindo que ele se arrependa e abandone essa prática. Em Apocalipse 2, a partir do versículo 18, Jesus manda uma mensagem pra Igreja de Tiatira. Havia ali cristãos que fornicaram com uma mulher, que o Senhor chama de Jezabel. Cristo diz que traria uma tribulação sobre eles, se não se arrependessem. Ele ordena-os aos arrependimento. A mesma coisa ocorreu com o fornicário de Corinto. Paulo o expulsou na primeira epístola pelo fato de que ele estava vivendo em fornicação sem arrependimento algum (1 Coríntios 5), porém, já na segunda epístola, pede para que a Igreja o receba de volta como irmão (2 Coríntios 2).

Não estou aqui dizendo para as pessoas fornicarem e adulterarem. Isso é pecado. E é grave. Mas Deus deixa claramente nas Escrituras que Ele perdoa liberalmente. Que na epístola aos hebreus, crucificar novamente o Filho de Deus é rejeitá-lo, não se referindo aos que cometem pecados sexuais. 

Um abraço a todos!


sábado, 2 de abril de 2016

Os "pecadinhos" que passam despercebidos.

Olá a todos. Faz mais de 6 meses que não publico nada em meu blog. Hoje queria escrever um texto baseado numa reflexão que fiz nas palavras de nosso Senhor.

Gostaria de começar com uma suposição. Imagine que Jesus estivesse fisicamente presente com você e outros irmãos. Imagine que Jesus esteja dando um sermão, e este é sobre o fim dos tempos. Imagine que depois de terminar esse sermão profético, Jesus agora alerte contra alguns pecados. Eu pergunto: Contra quais pecados Ele alertaria?

Muitos poderiam dizer: assassinato, imoralidade sexual, furto, idolatria... afinal, existe uma graduação de pecados que é feita de maneira errada. Muitos acabam fixando apenas em abster-se de alguns pecados e esquecem-se de outros. Embora, por exemplo, uma "simples" mentira e um homicídio tenham proporções e castigos diferentes, no entanto esses dois pecados se igualam numa coisa: ambos representam uma ofensa a Deus e os praticantes estão sujeitos à punição, mesmo que em proporção diferente, caso não se arrependam verdadeiramente.

Mas... sobre quais pecados Jesus alertou mesmo? Vamos para Lucas 21. Se vocês lerem o capítulo, verão que Cristo está falando da destruição do templo, de Jerusalém, dos terrores que as pessoas passariam, de desespero, destruição e ruína. Este sermão vai do versículo 5 ao versículo 33. E depois que nosso Senhor termina, adverte os seus discípulos com essas palavras:

"E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia."
(Lucas 21:34)

Perceberam? Cristo não alerta sobre imoralidade sexual, homicídio, furto, idolatria. Ele alerta sobre três pecados: glutonaria (gula), embriaguez e os cuidados exagerados desta vida.

Quem hoje em dia fala de glutonaria? Quem prega contra esse pecado? Eu confesso que em 20 anos na Igreja nunca vi algum pregador abordar esse pecado. Aliás, o que vejo muitas vezes são cristãos participando de rodízios de carne e pizza e fazendo apostas pra ver quem come mais. E normalmente o que come mais sai mal do local. Glutonaria é um pecado esquecido. A gula se tornou comum. Muita gente nem sabe que é pecado porque nunca ouviu falar, isso eu posso atestar. Muitas pessoas não sabem e muitas sabem mas negligenciam que a gula é tão grave como a bebedice.

O outro pecado é a embriaguez. É um pecado que, no geral, os cristãos sabem que é e no geral não fazem apostas para verem quem bebe mais. Inclusive muitos até vão ao extremo de considerarem um gole de álcool sendo pecado, sendo que o versículo fala contra a embriaguez. Entretanto, é "difícil" entender por que muitos pregam contra esse pecado porém esquecem da gula.

O terceiro pecado citado por Cristo é sobre os cuidados desta vida. Ora, é natural que procuremos trabalhar, crescer etc. No entanto, existe um risco nisso aí. Devemos saber ponderar bem para que não façamos deste mundo o nosso lar. Para que nosso tempo pra ler e meditar na Palavra, orar, visitar os enfermos e cuidar de nossa família existam. Para que os cuidados desta vida em trabalhos e estudos e outras coisas daqui da terra não façam que negligenciemos as atividades do Reino e a estar à espera da volta de nosso Redentor. Eu confesso ser difícil ouvir algum cristão ou ouvir alguma pregação que exorte sobre o cuidado exagerado das coisas desta vida.

Espero que este pequeno texto desperte os leitores a lembrarem-se dos "pecadinhos" que passam despercebidos e que acordem para uma vida de piedade e devoção mais firme e real.

Paz a todos vocês.